Dores de cabeça: causas e tratamentos



Também conhecida como cefaleia, a dor de cabeça é um problema muito comum e frequente na população em geral, sendo uma das causas mais comuns na busca por atendimento médico. O problema pode ocorrer isoladamente como manifestações de um complexo sintomático agudo, como a enxaqueca, ou pode ser um sintoma de uma doença em desenvolvimento, como infecções, sangramentos intracranianos ou neoplasia cerebral. 
Estudos indicam que cerca de 90% da população mundial já apresentou ou apresentará um episódio de dor de cabeça ao longo da vida. Com isso, é necessária uma avaliação completa e sistemática das dores de cabeça, de preferência de um neurologista. 
Em entrevista ao Blog Conexão Saúde, o médico neurocirurgião do Hospital Samel, Denis Esteves Riad, explicou o porquê de sentimos dores de cabeça, tempo médio de duração, principais causas, tipos de tratamento mais indicado, entre outras informações. Confira:
  Por que sentimos dores de cabeça?
As dores de cabeça ocorrem por conta das alterações metabólicas do corpo, que levam a alteração dos vasos sanguíneos ou dos músculos que sustentam a cabeça. “O cérebro, por si só, não dói. O que dói são as estruturas em volta dele, como vasos sanguíneos, a dura máter (membrana que protege o cérebro), o periósteo (membrana que protege o osso), músculos, gordura e pele”, explica o Dr. Denis Riad.
Dor de cabeça e enxaqueca. Qual a diferença?
As dores de cabeça comuns, de acordo com o Dr. Denis, são autolimitadas e, geralmente, estão relacionadas a excesso ou privação de sono, longos períodos de jejum ou intoxicação exógena (álcool), além de serem de baixa frequência e curta duração. 
“A privação de sono, juntamente com os longos períodos de jejum são os principais desencadeadores da dor de cabeça. O sono não reparador interfere na qualidade de vida levando à fadiga, astenia, alterações de humor e, consequentemente, a cefaleia”.
Já as enxaquecas (ou migracâneas), tem um curso mais crônico. “As enxaquecas tendem a se repetir diversas vezes e têm duração superior a quatro horas, podendo durar até três dias”, ressalta o neurocirurgião. 
Normalmente, ela tem uma característica pulsátil e tende a ser hemicraniana (em um lado da cabeça), e podem vir associadas a vômitos e, em alguns casos, apresentar sintomas como visualização de luzes piscando, dormência no corpo e sentir um cheiro desagradável”.
A enxaqueca com aura, aquela que se caracteriza por fenômenos sensori
ais, pode apresentar primeiro uma sensação que avisa o paciente que vai ter a dor, chamados de ‘pródromos’. “A partir desse estágio, inicia-se um fenômeno, normalmente sensitivo, que chamamos de ‘aura’, que dura entre 20 a 30 minutos, onde o sintoma mais comum são as escotomas cintilantes na visão. Daí, então, temos o estágio da cefaleia propriamente dita, que pode durar algumas horas, seguindo pelo período de recuperação, onde o paciente fica muito cansado, chegando a exaustão.
A enxaqueca possui várias hipóteses etiológicas, passando desde teorias hormonais a metabólicas, que tem como componente final uma alteração na sensibilidade dos vasos sanguíneos do cérebro.
Dor de cabeça em crianças
Segundo o Dr. Denis, a cefaleia em crianças é relativamente incomum e sua presença indica doenças em outras partes do corpo, como, por exemplo, infecções ou diabetes. A história clínica e os exames de imagem ajudam a elucidar esse diagnóstico.
  
Diagnóstico e tratamento
Em 80% dos casos, a história clínica e exames físicos são capazes de indicar um diagnóstico preciso da causa da cefaleia do paciente, além de exames laboratoriais e de imagem. Para o alívio da dor de cabeça, geralmente é indicado um anti-inflamatório não esteroidal e se houve uma alta frequência durante o mês, é utilizado um profilático a noite, que de acordo com o Dr. Denis Riad, inclui várias medicações.