Conheça o AVC: acidente vascular cerebral

Conhecido popularmente como “derrame cerebral”, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma doença caracterizada pelo início agudo de um déficit neurológico (diminuição da função) súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. De acordo com a Sociedade Brasileira de Doenças Cardiovasculares, o AVC é a enfermidade que mais mata no Brasil, e é a principal causa de incapacidade no mundo. Cerca de 70% das pessoas acometidas com a doença não retornam ao trabalho devido às sequelas e 50% ficam dependentes de outras pessoas no cumprimento das atividades do dia a dia.

Apesar de atingir mais frequentemente indivíduos com mais de 60 anos, o AVC pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças. O acometimento da doença tem apresentado um considerável crescimento em jovens, ocorrendo em 10% de pacientes com menos de 55 anos e as projeções da Organização Mundial de AVC (World Stroke Organization) sugerem que uma a cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo de sua vida. Para esclarecer algumas dúvidas, o Blog Conexão Saúde entrevistou a coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTI Adulto) do Hospital Samel, doutora Dirce Onety, que explicou sobre os tipos de AVC, sintomas, tratamento e prevenção. Confira!


Tipos de AVC

Segundo a médica intensivista Dirce Onety, existem dois tipos de AVC: Acidente Vascular Isquêmico e Acidente Vascular Hemorrágico. O Acidente Vascular Isquêmico é a falta de circulação em uma área do cérebro acometida por uma obstrução de uma ou mais artérias. Em geral, ocorre em pessoas mais velhas, que possuem diabetes, hipertensão arterial, níveis de colesterol elevado, problemas vasculares e fumantes. Já o Acidente Vascular Hemorrágico é o sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, causado por hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue e traumatismos, por exemplo. Esse tipo de AVC pode ocorrer em pessoas mais jovens e a evolução é mais grave.

Sintomas

De acordo com a doutora Dirce, alguns sintomas são frequentemente encontrados em pacientes com AVC, como a diminuição da força na face, braço ou perna de um lado do corpo; alteração subida da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo; perda súbita de visão em um ou nos dois olhos; alteração aguda da fala, incluindo dificuldades para articular, expressar ou compreender a linguagem; dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente; instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.

Tratamento

O tratamento do AVC depende do estágio da doença. Existem recursos terapêuticos que podem auxiliar na restauração das funções afetadas. É fundamental que o paciente seja analisado e tratado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, como médicos e fisioterapeutas. Conforme a região cerebral atingida, bem como de acordo com a extensão das lesões, o AVC pode oscilar entre dois opostos: os de menor intensidade praticamente não deixam sequelas. Já os mais graves, podem levar ao óbito, ou a um estado de absoluta dependência.


Prevenção


Alguns fatores de riscos contribuem para o aparecimento da doença, mas, alguns desses fatores não podem ser modificados, como idade, raça, sexo e constituição genética. Entretanto, outros podem ser diagnosticados e tratados, minimizando os riscos. “A hipertensão arterial, a diabetes mellitus, doenças cardíacas, ingestão de bebidas alcoólicas, fumo e sedentarismo, além da obesidade podem ser controlados e a adequação dos hábitos da vida diária é primordial para a prevenção do AVC”, ressalta a doutora Dirce Onety.